sexta-feira, 4 de maio de 2007

Poesia banal

Por que tamanho é o medo de se dizer o óbvio?

Talvez tudo o que se tenha dito até hoje

e tudo o que ainda se dirá se óbvio

ou trivial para alguém.

Esta seria então a solução? Falar tudo,

já que tudo será mesmo banal?

Sim. Direi tudo, serei um poço de obviedades,

de banalidades e de futilidades.

Declararei o meu amor àqueles que são

alvo do meu afeto. Falarei mal daquilo

e daqueles que por um motivo qualquer

ou sem motivo algum caiam sob meu olhar

e me pareçam merecedores de um comentário

ácido e corrosivo ou simplesmente ofensivo.

Declaro então meu amor incondicional

aos meus amigos que bebem

e aos que não gostam de beber.

E meu ódio ao mofo que impregna

tudo neste pequeno e aconchegante

pedaço do inferno chamado Juiz de Fora.

B.M.P.

2 comentários:

Sel disse...

Lembrou-me um jeito um tanto quanto itabiranamente Carlos de Andrade... ^_^

Fico pensando em quantos pedaços de inferno aconchegantes já me meti (pois sim, mesmo o inferno tem seus ganhos, uma vez que nos propomos a neles permanecer). O diabo é que neunhum deles fica fora de meu quarto...

Um xêro

Maria Cristina disse...
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